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O Papel de Vilão no Cinema

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O que faz um bom vilão? Ou seja, como poderemos entender a interpretação de um determinado ator, na pele de um vilão, como sendo de boa ou excelente qualidade? O que nos leva a reconhecer, a nós, simples apreciadores do cinema ou mesmo  para os especialistas, que determinado vilão é uma personagem de destaque? Ao lado desta pergunta, vagueiam muitas mais que, à primeira vista, parecem insignificantes, mas, se pensarmos bem, acabam por ser determinantes no sucesso de um filme.

Todos recordamos performances marcantes, como o Joker de Jack Nicholson no Batman (1989) de Tim Burton e, mais recentemente, embora num nível diferente, no Cavaleiro das Trevas (2008) de Christopher Nolan, com Heath Ledger a desempenhar o papel de vilão; ou então Hannibal Lecter interpretado por Anthony Hopkins no Silêncio dos Inocentes (1991) e nas suas sequelas. Como poderemos esquecer Robert de Niro e a sua interpretação no Cabo do Medo (1991) de Martin Scorcese, Alan Rickman no Assalto ao Arranha-Céus (1988), Tobin Bell como Jigsaw, ou  (o vilão preferido de todos) Darth Vader da Guerra das Estrelas (1977).

Que traços comuns poderemos estabelecer entre estas personagens e a sua interpretação e a importância de um bom vilão num filme? Desde logo, nestes filmes, à semelhança do que sucede com outros, o vilão é facilmente reconhecido como antagónico àquilo que consideramos estar certo e representando o oposto do que o protagonista do filme é. No entanto, o que sucede, muitas vezes, na conclusão do filme, é a constatação de que a ligação entre o herói e vilão do filme é mais forte do que se possa pensar e a linha que os distingue é mais ténue do que se poderia esperar.

Senão vejamos: nos filmes de Batman, o combate ao vilão só poderá ser efetuado por uma personagem que consiga utilizar as mesmas armas e tenha um pensamento semelhante ao dele e que vive numa sombra de mistério sombrio. Hannibal Lecter, por outro lado, personagem mítica do terror do nosso subconsciente, é revestido de uma personalidade de respeito, culta, não muito diferente da protagonista, e já no Dragão Vermelho (2002) assume um papel ambivalente, de admiração para com um novo assassino, que ameaça a segurança dos cidadãos, e de apoio ao protagonista, na sua procura pelo criminoso. E não podemos esquecer Darth Vader que, mesmo no final do filme, procura a redenção junto do filho.

Claro que por detrás de um bom vilão está sempre um bom ator, que consiga através do seu trabalho transmitir as emoções da sua personagem junto do público, de modo a que possamos sentir a ânsia, as preocupações e o medo emanados da personagem. Ou seja, a intensidade do papel está decorrente da capacidade do ator em transformar as emoções da personagem, nas suas próprias emoções (algo só ao alcance dos melhores).

No entanto, existe um fator que, na minha opinião, classifica um bom vilão: a empatia que conseguimos estabelecer com o mesmo. Isto não tem nada de mórbido ou perturbador, mas antes trata-se do reconhecimento de que a personagem e interpretação que estamos a assistir se destaca no filme. Este destaque pode dever-se a diferentes fatores como, por exemplo, a incapacidade do protagonista do filme em se afirmar e em conseguir manter-se ao nível da interpretação do vilão. Muitas vezes o que sucede, e fruto da maior qualidade de uns atores sobre outros, é que a interpretação do papel de vilão pode sobrepor-se às restantes, ofuscando-as.

O papel de vilão tende, segundo a opinião de grande parte dos atores, a ser mais exigente do que outros papéis, não sendo, no entanto, proporcionalmente reconhecida. É um papel subvalorizado na indústria, embora seja crucial para o sucesso de filmes. A escolha de atores para desempenhar este tipo de papéis acaba por se mostrar fundamental. Para compreendermos isso, basta fazer um pequeno exercício mental. Substituam na vossa cabeça os atores que desempenharam alguns destes papéis por outros atores e imaginem se o resultado seria sequer aproximado.  

Por: João Vítor Redondo

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