Publicidade

Siga-nos....

Votadas as mais belas!

Lucy Pinder Lucy Pinder
Megan Fox Megan Fox
Carmen Electra Carmen Electra
Jennifer Hawkins Jennifer Hawkins
Thaila Ayala Clique para ver mais...
Mariana Monteiro Mariana Monteiro

Votação

Quantas vezes pratica exercício físico? Todos os dias!
Todos os dias!
33%
3 x por semana
22%
2 x por semana
8%
1 x por semana
8%
Quando me lembro, o que é raro
15%
Não gosto de fazer exercício
9%
Não preciso, tenho um corpo perfeito!
5%
Votos totais: 439

Debaixo do Radar (Under the Radar)

Clique para ver mais...

Existe uma série de obras cinematográficas que, incrivelmente, e na minha opinião, foram e ainda são completamente ignoradas por nós. Filmes, uns mais que outros, que nos dizem muita coisa e, que de alguma forma, não são muito conhecidos pelo público, vivem na sombra por inúmeras razões. Desde logo, porque muitos destes filmes são antigos, e vivemos, apesar de tudo, numa geração que parece não ligar ao que de melhor se fez no século passado do cinema. Ou porque os filmes são a preto e branco, ou porque não são repletos de efeitos especiais e cheios de explosões, ou porque abordam questões muito mais sensíveis, a geração de hoje simplesmente não conhece estas obras, exceção feita aos entusiastas do cinema.

Neste espaço estão filmes como o Julgamento de Nuremberga, de 1961, O Mundo a Seus Pés, de 1941, 12 Homens em Fúria, de 1957, ou o Há Lodo no Cais, de 1954. Todos estes filmes são referências da indústria cinematográfica, contando com diversas nomeações para os Óscares. No entanto, nem só os filmes datados sofrem deste problema. Quem já viu Os Suspeitos do Costume, de 1995? Brilhante em todo o seu argumento, culminado com uma das interpretações mais marcantes do cinema, por Kevin Spacey, que o levaria à vitória do Óscar na categoria para Melhor Ator secundário.

Quem conhece América Proibida, de 1998? Palco de outra grande interpretação, por Edward Norton, figura-chave de uma das cenas mais arrepiantes da história do cinema, onde a nossa imaginação é levada ao extremo. Quem viu Lock, Stock and Two Smoking Barrels, de 1998? Para os seguidores de Guy Ritchie, trata-se “apenas” de uma das obras marcantes do seu trabalho, antecessora daquilo que viria a ser Snatch – Porcos e Diamantes (2000), mas que muita gente, aqui em Portugal, por exemplo, não conhece. Ou então, A Vida não é um Sonho, de 2000, uma das obras que mais me marcou, da autoria de Darren Aronofsky (o mesmo realizador de O Cisne Negro), pela sua intensidade e carga dramática, onde, literalmente, somos levados para o lado mais negro do ser humano e da cruel realidade do nosso Mundo

Mas mesmo que o filme seja mais ou menos conhecido, muitas vezes o problema está na falta de reconhecimento do papel interpretado pelos atores. Um dos exemplos mais paradigmáticos deste problema é, na minha opinião, a falta de reconhecimento de Christian Bale pelo seu papel em O Maquinista, de 2004. Christian Bale, que só este ano viu o seu trabalho ser reconhecido pela Academia de Hollywood, pelo seu papel secundário em The Fighter, representa, hoje, um dos atores mais capazes e versáteis de toda a indústria, levando a interpretação ao extremo em termos de exigência, não só mental, mas também física, tendo perdido cerca de 30Kg para as gravações, apenas para este papel.

Numa altura em que somos inundados todos os dias por centenas, senão mesmo, milhares de novos filmes, de todas as origens, talvez seja importante fazermos uma pausa, olharmos para os trabalhos do passado, e tomar consciência do que o cinema foi e no que é que se está a tornar.

Custa-me imenso que se dê tanto destaque a certas peças sem o mínimo de qualidade e se ignorem outras, onde os argumentos e interpretações são simplesmente geniais. Temo, e vejo isso cada vez mais, que o cinema se esteja a tornar mais fútil, sem grande conteúdo e com falta de qualidade. Os grandes cineastas, os que estão ainda entre nós e aqueles que já nos deixaram, devem partilhar desta desilusão.

Por: João Vítor Redondo
Voto: Nenhum Média: 4.8 (6 votos)